100% não.
às vezes só 60% pode ser o suficiente.
Esses dias a Jú Neiva (minha designer maravilhosa) me mandou um vídeo falando sobre tentarmos buscar o nosso 60% no que nos propomos a fazer. Sim, 60% sendo suficiente, não 100%. Para uma cobradora nata como eu, 60% parece uma piada.
A Jú me sugeriu ser 60%, porque ela percebeu como eu acabava ficando paralisada por me cobrar de mais. Ou seja, quanto mais me cobro para ser criativa e produzir conteúdos, menos eu produzia e esse ciclo foi ficando cada dia mais intenso, a ponto de ter conteúdos prontos, mas nunca postados por achar que nunca estavam 100%. Tem base?
Essa sugestão tem fundamento: um estudo do Linkedin mostrou que mulheres só se candidatam para um trabalho quando preenchem 100% dos requisitos da vaga. O problema é que os homens costumam se candidatar, mesmo dando check em apenas 60% desses requisitos e costuma dar muito certo.
A Maíra Blasi, especialista em futuro do trabalho, escreveu esse texto sobre os 60% que os homens praticam e conseguem versus os 100% que as mulheres tentam chegar e acabam se sobrecarregando (afinal, 100% não existe!). Ela chamou esses 60% dos homens de autoestima delirante e faz todo o sentido.
Talvez não te falta capacidade, só te falta autoestima mesmo! Quanto mais tentamos buscar os 100%, maior a sensação da síndrome da impostora, que é basicamente uma resposta de uma cobrança adoecida por resultados inexistentes.
60% para além do quesito profissional.
Comecei a aplicar esse percentual para outros aspectos:
Exercício físico: fico muito desmotivada quando me proponho a fazer exercício todos os dias (100%) e simplesmente não rola. Dos 7 dias da semana, 4 dias (60%) são possíveis, e nesses dias, consigo dar 100% de mim. A motivação de praticar exercício é OUTRA e a taxa de falhas diminuiu absurdamente.
Alimentação: já disse e vou repetir que não existe alimentação 100% perfeita. Às vezes a busca por fazer 100% na alimentação é motivo suficiente para largar de mão melhores escolhas alimentares. Pois bem, 60% é mais do que o meio do caminho e é muito mais sustentável.
Como descobrir os meus 60%?
Escolha um tema, por exemplo: alimentação.
Faça uma lista do que seria uma alimentação 100%.
Observe se esses 100% realmente são realistas (spoiler: não são).
Refaça essa lista considerando o que está no seu alcance neste momento.
Se for realista, mas ainda demandar certo movimento: esses são os seus 60%.
Mãos à obra!
Fazer 60% não significa fazer pouco e às vezes é o suficiente. Quanto mais tentamos chegar aos 100%, menos valorizamos os 60%, 70%, 80% que damos conta de fazer e mais sobrecarregadas ficamos (burnout? oi?). Lembra que quem tirava nota 6 também passou de ano? Pois bem! Se você focar só na nota 10, esquece de valorizar tudo de bom que já conseguiu alcançar. E pior: 100% nem cabe mais crescimento. Por essa ótica, nunca foi tão bom tirar nota 6, né?

